Diário de Bordo 14/05 /2014 – Dia cheio de emoções até chegarmos a Macapá: grande susto com Azulão que quebrou o disco de freio cerrando a manga de eixo bem pertinho de Macapá.

Acordamos e enquanto arrumávamos as coisas pra levantar acampamento, ouvimos o barulho do Monstro passando. A turma gritou, e eles se reuniram novamente ao grupo. Era engraçado como os momentos de estresse viravam euforia rapidamente, e logo estavam todos reunidos novamente, seguimos rumo a Macapá que já estava a poucos kms. Todos muito eufóricos, fomos seguindo.

A estrada que era só buraco havia acabado e tornou-se muito escorregadia, e o movimento de veículos aumentava de acordo com que nos aproximávamos do nosso destino final.

Como ao longo do trajeto haviam alguns trechos com formação de atoleiros, nos deparamos com um caminhão atolado e então paramos para ajudá-lo. Digão tomou a iniciativa de tentar puxá-lo com sua Fubica, mas não conseguiu, foi quando pedi para Cotonete (Monstro) sempre disposto, a fazer um “trenzinho” com a Fubica e assim conseguiram arrastar o caminhão para fora do atoleiro.

Os carros foram transpondo os pequenos atoleiros. Azulão ficou fechando o grupo com a Jaburu, quando poucos kms depois, tivemos um grande susto com Azulão: a roda traseira direita quis nos ultrapassar, só que pra nossa sorte, estávamos em baixa velocidade iniciando uma subida. A roda saiu com o semieixo, o jipe saiu arrastando e por sorte, não tombando.

A Márcia e o Batalha imediatamente passaram um rádio pra galera avisando do ocorrido. Desci do Azulão atônito, sem saber o que pensar, já que o Azulão utiliza eixo flutuante que evita esse tipo de acidente.

A galera retornou e eu triste pensando: que belo presente de aniversário eu estava ganhando, pois, não conseguia entender e visualizar o que tinha acontecido! As opiniões eram diversas, mas, para não perdermos tempo, pois, achávamos que o eixo havia quebrado, decidimos levantar com cautela o jipe e recolocar a roda no lugar.

Com Ogro Anderson e Anderson (Feio) sempre dispostos, rapidamente conseguimos fazer isso. Eu, frustrado, já falava pro Digão ir até Macapá trazer um novo eixo, pois, faltava tão pouco pro destino final e eu queria chegar rodando, esse seria o maior presente de aniversário, mas todos já diziam apenas pro Digão mandar um guincho e isso era a coisa que eu menos queria.

Deslocamos o Azulão até o alto do morro lentamente com o Ogro Anderson me acompanhando a pé, pois, lá seria um lugar mais seguro pra parar o jipe e aguardar a chegada do guincho.

Foi nesse momento com a cabeça mais calma que comecei a analisar friamente o que havia acontecido e percebi que o disco de freio havia quebrado e cerrado a manga de eixo. Imediatamente comuniquei a galera o que havia quebrado e que eu tinha as peças reservas, a animação voltou, e o espírito do Amigos do Jipe Amazônia que tanto preguei ao longo da viagem, mais uma vez aconteceu.Anderson (Feio), Malafaia, Ogro Anderson e eu, desmontamos rapidamente o que sobrou, enquanto a galera espantada não acreditava que eu tinha aquelas peças novas reservas no jipe.

Digão que foi nosso cozinheiro várias vezes durante a viagem, juntamente com a animação de Mara, Cotonete, Batalha e Adriana, começaram a fritar uma carne pra manter a galera animada e nossa melhor companhia a chuva, de novo, veio dar o ar da graça.

Rapidamente substituímos as peças danificadas e seguimos viagem onde reagruparíamos novamente, pois, Capetinha e Sargento estavam nos aguardando mais à frente. Nesse momento a euforia no rádio era muito grande, a alegria de minha zequinha Márcia Andrade aumentava a cada instante, nem nos importávamos mais com a situação da estrada e até “parabéns pra você” pelo rádio, pelo meu aniversário rolou, e eu não conseguia mais conter, nem esconder minha emoção, não por ser meu aniversário, mas porque depois de 14 dias de quebras, discussões, acampamentos, alegrias, risadas, companheirismo, nós havíamos conseguido alcançar nosso objetivo.

Paramos os 8 carros restantes próximos a placa de MACAPÁ, já no início do asfalto, depois de tantos dias de estrada de chão e foi só comemoração, com direito a muita festa, lágrimas de emoção e nossa amiga chuva que foi tão fiel durante toda a expedição, não poderia nos deixar nesse momento chegando prá lavar nossa alma de felicidade.

Nos momentos que se seguiram até o centro de Macapá, tivemos uma surpresa inesperada: uma Defender 130 com uma família da África do Sul que estava chegando ao Brasil pelo Oiapoque e passando por Macapá, se juntou ao nosso grupo. Graeme Rob Campana Bell (Roberto), Luisa Bell, Keelan e a filha, todos muito simpáticos, foram seguindo o comboio até a orla de Macapá, onde alguns membros do Jeep Clube de Macapá e seu Presidente Mourão nos receberam e ofereceram a estrutura de sua sede pra ficarmos o tempo que fosse necessário.

Alguns participantes que haviam deixado a expedição dias atrás, Mauro (Cyborg -Bandeirantes) e Aroldo (Busão – Bandeirantes), Portela e Zé Carlos (Lobo Guará – Engesa) e ainda meu grande amigo Goianinho, foram todos nos encontrar na orla.

A festa iniciou na orla e seguiu na sede do Jeep Club de Macapá com churrasco oferecido pelo Jeep Club, Digão e Goianinho e representado pelo Presidente Mourão. Armamos acampamento e a festa seguiu noite adentro. Não sei quando ou se haverá outra Expedição Amigos do Jipe Amazônia, mas, uma coisa eu posso dizer: boas amizades foram feitas e se fosse necessário passar por tudo de novo com essa galera, eu faria tudo novamente.

Um mistério ficou no ar até o final da Expedição na chegada a Macapá: Onde estava Nelmont?

AMIGOS DO JIPE AMAZÔNIA 2014 !!! 

Agradecimentos:

Agradeço em especial a Márcia Andrade pela paciência, pelas fotos, vídeos e por toda a digitação do diário de bordo e pelos meus remédios de pressão que insistentemente ela me dava todos os dias pela manhã;

A todos os participantes;

A oficina JP Locadora, em Altamira
www.facebook.com/pages/JP-Locadora/232471596888453?fref=ts

Ao Takai que nos ajudou em Altamira;

Ao Jeep Clube Tapajós que nos auxiliou em Santarém;
http://www.jeepclubetapajos.com

À “Jocileuza” de Roça Comprida que nos cedeu espaço de seu terreno para acamparmos;

À balsa de Jesus Goes;

Ao Portela pelo apoio que nos deu em Santarém e estadia que nos deu em Macapá;

Ao Cláudio e sua esposa Raimunda, irmã do José Carlos, que nos cedeu espaço para dormir e ainda sua casa para o churrasco e a farra da galera;

Ao Jeep Club de Macapá que nos deu todo apoio em Macapá e nos cedeu a sede para acamparmos enquanto estivéssemos na cidade
https://www.facebook.com/JeepClubdeMacapa

Aos nossos parceiros:

Gil Peças e Maquinorte ( Stihl): http://maquinorte.lojastihl.com.br

Operama 4×4 Off Road: http://www.operama.com.br

Capotas Atlântida: http://www.atlantida4x4.com.br

XMotor: http://www.xfloripa.com.br

Nós de Joinville: http://www.nosdejoinville.com.br

Team Nogueira (Ananindeua): http://www.teamnogueira.com.br/

E a todos aqueles que direta ou indiretamente nos ajudaram ao longo da Expedição Amigos do Jipe Amazônia, fica aqui meu agradecimento! 

Diário de Bordo 13/05 – Balneário Hiara, Cachoeira do Papagaio, acampamento…Macapá estava bem mais próximo!!!

Pela manhã a turma saiu pra comprar mantimentos e bebidas. Eu estava um pouco aéreo pelo mal-estar sentido no dia anterior.

A galera estava animadíssima, pois, Digão havia dito que tinha um igarapé muito bom onde poderíamos relaxar um pouco, pois era isso que eu estava precisando e acredito que todos estávamos.

Seguimos pela estrada ruim, pra variar e com a nossa companheira chuva sempre dando sinal de vida. O bom foi que após sairmos de Santarém não tivemos mais problemas com as “Onças” (como diz nosso amigo Marcelo do Sargento JPX).

Chegamos no igarapé Recanto da Hiara que era 3 kms saindo da estrada principal. Um lugar lindo, com uma infraestrutura muito boa, quiosques, restaurante, banheiros e uma água incrivelmente cristalina onde todos se divertiram brincando como crianças. Pra completar, uma arara vermelha por nome de Ana que além de linda era beijoqueira.

Ficamos tomando cerveja e comendo tira-gosto até que Digão disse que mais à frente no caminho, havia uma cachoeira muito bonita, onde poderíamos acampar, sendo que, minutos atrás, havíamos combinado que aproveitaríamos o restante do dia no Recanto Hiara e dormiríamos por ali para seguirmos viagem no dia seguinte.

Como sempre, tudo o que era combinado em um minuto, no minuto seguinte já era mudado, pois, uma parte da galera mais apressada, queria seguir viagem e acharam que, já que já tinham nadado, comido e bebido, não tinham mais nada para se fazer ali o resto da tarde e que então deveriam seguir viagem.

Contrariado, seguimos até a próxima cachoeira. Todos os carros super bem, sem problemas, algumas brincadeiras pelo rádio, a estrada continuava ruim até quando chegamos na entrada do ramal que levava a Cachoeira do Papagaio. O ramal foi bem tranquilo e chegamos lá por volta de 16 hrs. A galera desceu dos carros e estranharam um pouco, porque, além de não haver espaço físico para armar acampamento, não gostaram do local, pois, pelo que víamos do tempo, iria cair muita chuva mas, como estávamos ali, descemos por uma trilha fechada e escorregadia e nos deparamos com uma bela queda d’água e uma laje enorme, onde conseguíamos acesso por detrás da queda d’água.

Aí, a euforia foi geral e a maioria caiu na água. Quando retornamos aos carros, novamente o humor da galera mudou ao saber que teríamos que rodar uma média de 30/40 kms até acharmos um lugar para acampar. Foi nesse momento que parte da turma começou a discussão do porquê não ter ficado no recanto da Hiara onde tínhamos toda estrutura.

Eu, já cansado de tudo isso, nem me metia mais no meio dessas discussões, apenas queria chegar em Macapá. E até esse momento, onde estava Nelmont com a Engesa do Lobo Guará? Ninguém sabia…! Saímos novamente na estrada principal, Cotonete decidiu que não seguiria até o próximo vilarejo onde armaríamos acampamento, pois, achava melhor rodar apenas uns 5 kms até um restaurante por onde havíamos passado e dormir por lá, do que 30/40 pra frente como a turma queria.

O grupo seguiu viagem por mais ou menos uma hora e meia numa estrada com bastante lama e dessa vez ao invés da chuva que nos acompanhava sempre, tivemos uma lua fantástica como companheira até o vilarejo.

Armamos acampamento e como sempre, churrasco, cerveja e muita risada, sem esquecer de falar no nosso churrasco de turbina, onde temperávamos picanha ou maminha que era enrolada em papel alumínio, amarrada na turbina e ia assando ao longo do trajeto e a dessa noite foi a melhor de todas.

A lua apenas nos contemplou por um tempo esse despediu dando lugar novamente a nossa fiel companheira, a chuva! Fomos dormir ansiosos, na certeza de que, se tudo desse certo, na próxima noite já estaríamos em Macapá!

Diário de Bordo 12/05 – Stress, cansaço, desmaio, travessia para Laranjal do Jari …

A balsa partiu cedo para um outro local onde desceríamos os carros. A galera estava atordoada pela noite anterior, ansiosos para descer logo e partir em direção a Monte Dourado.

Aos poucos os carros foram descendo em direção ao centro de Almeirim pra tomar café, reabastecer os carros, comprar gelo e, claro, cerveja.

Percebi que o Azulão necessitava passar no eletricista pois, o alternador deu sinais de falha. Jaburu (Batalha e Malafaia) me acompanharam até o eletricista que era em um local um pouco afastado do centro. Ao chegar no eletricista, nos deparamos com dois cidadãos se degladiando com um facão em um campo de terra.

Batalha e Guerreiro (Malafaia) voltaram para encontrar o restante do grupo e eu fiquei dando uma carga extra na bateria e percebi que era apenas um fio solto do alternador.

Retornei ao centro pra procurar o grupo e já não encontrei mais ninguém e como estava sem rádio não conseguia comunicação com a turma, ficando sem saber então se haviam seguido para Monte Dourado. Dei mais uma volta na cidade pra ver se encontrava alguém, porém, sem sucesso.

Resolvi então seguir e fui perguntando na saída da cidade se haviam visto uns jipes passando e fui seguindo os rastros pela estrada, puto, porque mais uma vez, o grupo seguiu na frente e sem prévia comunicação.

Rodei durante um longo trecho até que em um entroncamento, encontrei minha zequinha Márcia Andrade à minha espera. Márcia então me relatou que o grupo estava à procura de um igarapé pra tomar banho, mas foram seguindo e o igarapé nunca chegava. Ela estava no carro junto com Batalha e Malafaia que não estavam de acordo como comportamento do grupo de seguir em frente sem comunicação e além disso, os três no carro era complicado. O grupo seguiu sentido Monte Dourado e ela resolveu me aguardar.

Depois de muito tempo rodando, conseguimos alcançar o grupo no igarapé e apenas parei pra pegar nossas mochilas que estava em outro carro junto com a motosserra e seguir viagem. A galera saiu logo atrás, mas não esperei; parei um pouco a frente pra completar o tanque, pois, nem isso havia feito em Almeirim, e nesse momento, reagrupamos.

A estrada estava muito ruim e com ela nossa sempre fiel escudeira, a chuva. Alguns carros aquecendo devido a lama, e foi assim até chegarmos a Monte Dourado onde paramos em um posto de gasolina e descobrimos por acaso, que era ali que Nelmont morava (mas, ele não estava lá).

Alguns, ficaram jogando uma água no radiador e nós seguimos para a balsa com Digão, onde atravessaríamos para Laranjal do Jari. Resolvemos comer alguma coisa enquanto a turma chegava. Senti um mal – estar e comecei a suar frio, deixei o prato, mudei de mesa e não lembrava de mais nada.

Mais tarde, a Márcia me disse que desmaiei, me colocaram em um táxi e ela estava indo comigo para o hospital local, quando acordei assustado perguntando onde estava e o que tinha acontecido. Disse a ela que estava bem e que não precisava ir para o hospital, mas quando levantei, senti novamente uma tonteira. Márcia disse que olhou minha pressão que estava muito baixa, só sei que Digão colocou o Azulão na balsa e fiquei no carro com Ogro Anderson e dormi.

Atravessamos para Laranjal do Jari, já no Estado do Amapá e a turma resolveu dormir por lá pra seguir viagem no outro dia. Ogro Anderson queria na verdade que eu procurasse um médico, mas achei melhor dormir e descansar. Penso que todo o cansaço e estresse dos últimos dias possam ter sido grandes contribuintes para meu mal-estar.

Como Digão conhecia bem a cidade por morar em Macapá, nos levou para um hotel e conseguiu que todo o grupo se hospedasse no mesmo local.

A turma saiu para jantar e eu fui descansar. Nosso destino estava bem próximo!!!

Diário de Bordo 11/05 – Balsa rumo a Almeirim – Dia das mães

Acordamos cedo e a balsa ainda não estava lá.

Pouco depois, o dono da balsa Jesus Goes chegou, disse que havia tido problemas mecânicos e que precisava de bateria pra funcionamento da balsa.Ogro (Anderson) providenciou a bateria e Jesus se mandou de volta para a balsa.

A galera se animou rapidamente e começou a arrumar as coisas para levantarmos acampamento, aproveitando esse tempo inclusive para lavar as roupas e deixar tudo organizado. Nesse meio tempo, percebemos a roda do Monstro meio torta e vimos que havia necessidade de levantá-lo pra ver o que era. Verificamos que era apenas reaperto do rolamento de roda.

A preocupação com Nelmont continuava, pois, ele não havia aparecido conforme combinado com o grupo. Continuamos aguardando até porque Jesus era amigo de Nelmont e não pretendíamos sair de lá sem ele. Perguntamos ao Sr.Francisco se havia algum morador que tivesse moto, disponibilidade e pudesse refazer o percurso que havíamos feito, atrás de notícias do Nelmont.

Conseguimos um rapaz, abastecemos sua moto ele então retornou com instruções de, se necessário, seguir até Monte Alegre e encontrá-lo. A galera começou a ficar impaciente e meio “puta”, se preparavam para embarcar os carros na balsa, pois, se chovesse o embarque se tornaria muito complicado e arriscado.

As horas se passavam, nenhuma notícia do motoqueiro e nem do Nelmont. As 14 horas, os carros foram embarcados, conversamos com Jesus e decidimos que ficaríamos mais duas horas aguardando Nelmont. Como diz no regulamento, esperaríamos 24 horas e já estávamos por muito mais tempo aguardando e nada do motoqueiro e do Nelmont.

Naquela altura, o regulamento já não valia mais nada! Alguns participantes foram conversar com os moradores e deixar o dinheiro do motoqueiro conforme havia sido combinado pelo trabalho dele de ir atrás do Nelmont, e conforme combinado, partimos as 16 horas.

Fomos em direção a Almeirim e no trajeto, muita foto, visual maravilhoso, galera empolgada, pôr do sol, cachaça e churrasco na balsa. A lua estava maravilhosa, arrumamos uma corda e um balde pra tomarmos um banho de rio, galera foi armando as redes e se preparando, pois, iríamos dormir na balsa e pra variar algumas discussões como aconteceu algumas vezes durante todo o trajeto, pois, muitas cabeças pensantes, com opiniões das mais diversas.

Não podemos esquecer que que dia hoje, 11/05 é dia das mães, passamos o dia todo sem sinal, e por volta das 20:00, conseguimos, em plena balsa no Rio Amazonas, sinal no celular…momento de pura emoção, onde cada um conseguiu falar com sua mãe ou as mães com seus filhos que estavam longes!

Conversei com Jesus e decidimos que não iríamos descer os carros a noite. Ele ancoraria a balsa numa madeireira a 6 kms de Almeirim e poderíamos descer os carros com tranquilidade durante a manhã. Ele então continuou a navegação e ao invés de parar onde havia sido combinado, parou no centro da cidade (o rio estava cheio e a cidade estava alagada por causa das chuvas), e ficou uma interrogação, todos ficaram sem entender porque ele saiu do combinado. Na verdade, deve ter sido a “marvada da cachaça” !

Diário de Bordo 10/05 – Vista Alegre do Cupim, Ramal do Acarapi – noite de festa e espera da balsa

O dia mal iniciou, chegou a notícia de que Nelmont havia partido sentido Monte Alegre.

O restante do grupo, ficou curtindo a cachoeira na Pousada Ecológica Vale do Paraíso, que era fantástica. O combinado com Nelmont era que ele fizesse a comunicação com a balsa e retornasse ao trevo, pois, para Monte Alegre teríamos que rodar 92 kms, sendo 46 pra ir e 46 pra voltar e não compensava o deslocamento do grupo todo, até porquê esse roteiro não fazia parte do nosso trajeto.

Seguimos viagem sentido ao ramal do Acarapi. Todos preocupados com Nelmont, já que ele não havia retornado e não tínhamos notícias dele, mas, precisávamos continuar seguindo.

Fizemos algumas paradas no caminho em vilas como: Jatuarana, Vista Alegre do Cupim e outras que não tinham nome, eram apenas chamadas de Km 11, Km 16 da PA 254.

Cada vez mais, o percurso ia “melhorando”, saindo de buracos e entrando em areiões pesados, e a velha e boa chuva nos acompanhando. Havia trechos em que conseguíamos engatar até a 5ª marcha.

Chegamos no local onde a balsa estava marcada para as 18:00 hrs, as 18:30 e a balsa ainda não estava lá. Havia apenas uma balsa de madeira sendo carregada.

Como estava escurecendo e na região Norte escurece bem mais cedo, a galera foi logo montar acampamento, e o churrasco e a animação começaram como sempre.

A grande interrogação era: onde estava Nelmont?

Sr. Francisco, um morador local, nos avisou que a balsa estava próxima, mas que a mesma havia tido um problema e que mesmo assim chegaria naquela noite. Ao recebermos essa notícia, todos ficaram aliviados, mas ainda preocupados com Nelmont.

Para alegria de todos, demos diesel ao Sr. Francisco para ligar o gerador e tivemos então, luz, bom banho e de repente quando vimos, uma boate com som, iluminação e até DJ, foi quando Sr. Francisco nos disse que era seu aniversário. Aí, a festa ficou completa…muita dança, cerveja gelada e boa música madrugada adentro.

E onde estava Nelmont? Esse era o grande mistério !!!

Diário de Bordo 09/05 – Balsa para Santana do Tapará e chegada na fantástica cachoeira em Vale do Paraíso -Alenquer –

Logo pela manhã o grupo que estava em Alter do Chão começou a chegar em Santarém e reunir o grupo para seguir para a fila da balsa. Seguimos em direção a balsa, estávamos na fila quando nosso amigo Nazareno deu a notícia que estava com o dente muito inflamado, com bastante dor e retornaria para Bragança.

Sem falar que foi preciso conversar com Neto (da balsa) sobre a desistência do grupo de seguir para Juruti onde pegaríamos a balsa, devido as várias quebras no início da Expedição, fazendo com que atrasássemos dois dias no nosso cronograma.

Descemos em Santana do Tapará após 3 horas de navegação. Ao descermos da balsa, Nelmont que estava na Engesa agora com Anderson (Feio), pois, nosso amigo Portela por motivos familiares ficou em Santarém, nos guiou até uma cachoeira fantástica num local chamado Vale do Paraíso, onde deixamos o carro e fizemos uma trilha a pé.

Encantados com a estrutura do local que tinha chalés, uma boa comida e uma gelada, pernoitamos lá. Nosso amigo Nelmont, preocupado com a balsa que nos levaria a Almeirim, queria de qualquer maneira seguir viagem até Monte Alegre para tentar alguma comunicação com o dono da balsa. Não queríamos que ele fosse porque era tarde e a estrada, claro, muito ruim. Uma parte do grupo, três carros, resolveram voltar e dormir em uma venda pouco antes da cachoeira e conseguiram que Nelmont não fosse aquela noite, que esperasse pelo menos amanhecer.

E mais uma noite se foi….

Diário de Bordo 08/05 – Dia de decisões difíceis a serem tomadas. Algumas baixas no grupo…

O dia amanheceu, e enquanto eu estava na auto-elétrica e a galera espalhada em Santarém, o Busão estava desmontando o eixo pra ser levado pra retífica para fazer um serviço mais seguro e outros carros com reparos menores, passavam mil coisas na minha cabeça. Como estávamos atrasados no cronograma, estava pensando em abortar o trecho Santarém-Itaituba-Juruti e pegar a balsa em Santarém para Santana do Tapará.

Uma galera já estava estressada, como o grupo era grande, haviam várias divergências de opiniões. O dia foi passando, os carros foram ficando prontos e eu fui conversando com o pessoal em Santarém sobre a minha ideia e todos que estavam lá, ficaram de acordo. Faltava então conversar como pessoal que estava em Alter do Chão.

Peguei o Azulão a noite e segui para Alter do Chão onde encontrei a galera reunida em uma pizzaria e conversei com todos que concordaram também em abortar o trajeto.

Naquela altura, a L-200 do Werismar, não teria mais condições de seguir conosco ( cabeçote da L-200 trincado). Os carros do Nordeste também já iriam, por motivos particulares, retornar aos seus Estados, nosso amigo Felipe, zequinha do Digão também por problemas familiares retornou a Porto Alegre.

Ficamos então, apenas o Azulão, as duas Bandeirantes de Bragança, a Engesa e a Fubica de Macapá e os cinco jipes do Rio de Janeiro.

Voltei para Santarém onde a turma se reuniria para seguirmos então de balsa para Santana do Tapará.

Diário de Bordo 07/05 – Solda do semi-eixo em plena Transuruará e ida para Santarém

Quando acordei meio atordoado, a galera já estava desmontando completamente o eixo do Busão.

Nosso amigo Anderson (Ogro) com sua experiência e a ajuda dos companheiros, soldaram o eixo com as baterias de dois jipes, ficando perfeito e depois, deram início a montagem para podermos prosseguir viagem.

Enquanto o Busão não ficava pronto, a galera como sempre animada, tratou logo de fazer um arroz carreteiro pra comer no café da manhã e foi farra desde cedo.

Busão pronto, partimos! O grupo todo reunido e, como sempre, muita lama e muitos atoleiros. Trechos muito escorregadios fazendo com que a galera desse um show de rodadas com muita diversão e risadas. A essa altura, estávamos em 12 jipes seguindo para Santarém e a nossa amiga chuva nos acompanhava sempre. Algumas paradas pra fotos, filmagens , brincadeiras e claro, momentos pra tomar uma gelada.

Como todos os dias, prosseguimos noite adentro pra chegar em Santarém, e mais uma vez dividimos o grupo. Rubi Júnior com a Capetinha, seguiu com um grupo para Alter do Chão e o outro grupo seguiu como Azulão para Santarém para fazer reparos nos carros no dia seguinte.

Em Santarém recebemos o apoio do Jeep Clube Tapajós e do nosso amigo Portela Engesa – Lobo Guará Macapá) que deram suporte hoteleiro e mecânico a quem precisou.

Diário de Bordo 06/05 – A tão sonhada Transuruará…

Acordamos cedo e por volta das 07:20 partimos rumo a Uruará, pois não tínhamos comunicação com o pessoal que estava lá e que deveriam estar preocupados com a nossa demora.

Por volta de 08:30, próximo a União da Floresta, a L-200 do Werismar continuou com problema de aquecimento no motor. Achamos um caminhão na estrada e Werismar muito chateado, conseguiu que o carro fosse levado até Santarém.

Seguimos viagem e eu fiquei muito triste, pois, dois Amigos do Jipe já haviam abandonado a expedição por problemas mecânicos, mas, ainda havia esperança da L-200 resolver o problema em Santarém e se unir ao grupo novamente.

Nas proximidades de Uruará, tivemos outro susto: os grampos do cardan traseiro do Azulão se partiram e rapidamente tiramos os grampos do cardan dianteiro pra substituir os quebrados e prosseguir viagem até Uruará e finalmente se encontrar como grupo.

Não podemos esquecer de mencionar nosso amigo Anderson (Feio), que durante todo o trajeto, ele que com muita paciência e sempre muito prestativo e animado, meteu a mão na massa e consertou todos os carros que precisaram. Não tinha tempo ruim, era na terra, na lama, ele nunca deixava a galera desanimar, tinha sempre solução pra tudo.

Entrando em Uruará, consegui comunicar via rádio com o grupo que já estava lá há dois dias e eles já estavam entrando no ramal de madeireiro, a famosa Transuruará, também chamada por moradores locais de Chapadão, e seguiram na frente com Rubi Júnior puxando, até porque o deslocamento ficaria mais rápido.

O grupo que estava em Uruará há dois dias, recebeu o apoio do Gil da Stihl que levou a galera pra passear na Gruta do Diabo e na Cachoeira Coração da Amazônia, onde nosso amigo Febre Amarela levou um corte profundo no pé precisando de 5 pontos.

O grupo que ficou com o Azulão não conseguiu encontrar o Gil, pois, já estávamos atrasados. Assim, abastecemos e fizemos compra de mantimentos em Uruará e as 15:20 entramos no ramal, preparados pra tudo.

Seguimos ramal adentro e os atoleiros começaram a brotar durante todo o trajeto.

Conversei como grupo e havíamos decidido procurar um local para acampar, só que ao longo do trajeto arrebentou o cabo de acelerador do Lobo Guará (Engesa) do Portela, e fizemos uma parada rápida. Cabo trocado pelo Anderson (Feio), prosseguimos ramal adentro.

A noite, em meio ao atoleiro, recebemos a notícia pelo rádio, que o Busão (Bandeirantes do Aroldo e Nazareno) havia sofrido um ferimento sério: quebrou o eixo dianteiro.
Retornei para verificar o que havia acontecido e constatamos que o eixo havia partido. Levantamos o carro, retiramos a roda que era muito pesada e colocamos o estepe da Fubica do Digão que era mais leve e por sorte o eixo não havia se partido por completo.

Eu e Digão, decidimos então ir na frente pois, havia um vilarejo não muito longe dali e poderíamos conseguir algum tipo de apoio.

Quando estávamos perto do vilarejo me comunicando com o Digão pelo rádio, a galera que havia seguido na frente nos respondeu. Naquele momento, me animei, pois, o grupo estava próximo a se unir por completo novamente.
Vimos umas luzes no ramal e na entrada do vilarejo, a surpresa: todos do grupo que saíram a frente, estavam acampados nos aguardando, e foi aquela festa. Uma alegria contagiante. Os Amigos do Jipe, juntos novamente!

Depois da euforia, expliquei o problema que havia acontecido com o Busão e logo a turma estava reunindo alguns carros para retornar e ver o que era possível fazer.
Quando estávamos saindo, tivemos uma grande surpresa ao ver os faróis e a notícia pelo rádio de que eles estavam rodando lentamente e chegando até onde estávamos.
Aí a euforia foi geral e contagiante…a festa começou novamente em plena Transuruará…e o Sr.Francisco, morador do vilarejo, nos acolheu junto aos outros com um bom chuveiro e muita alegria!

 

Diário de Bordo 05/05 – Grupo dividido: parte da turma seguiu para Uruará; outra parte permaneceu reparando as viaturas

Pela manhã, mais uma parte da galera que tiveram os carros prontos, seguiram para Uruará, ficando apenas aqueles que tiveram ferimentos mais graves.

O tempo ia passando e eu preocupado com o cronograma que já estava atrasado.

No fim do dia, já noitinha, o restante dos jipes ficaram prontos. Quando fomos sair, percebi que o Azulão estava reduzido, independente de mexer na alavanca de redução. Vimos então que a engrenagem havia sido montada invertida. Rapidamente, paramos o carro e resolvemos o problema.

Digão que havia saído um pouco antes e nos esperava na saída da cidade, teve um pequeno problema com a correia dentada da Fubica que havia pulado.

Na minha cabeça, só passava que Altamira não queria nos deixar ir embora.

Mas, as 22:45, pegamos estrada para Uruará e ficamos aguardando o Digão que estava de novo na oficina já no caminho, pois, o cardan da Fubica havia sido montado errado.

Enquanto esperávamos, o jornalista Odair Oliveira da Rede Tv de Altamira que havia me entrevistado e feito uma matéria sobre a Expedição mais cedo, aguardava pacientemente para filmar nossa saída e finalizar a matéria que havia iniciado conosco.

O carro do Digão se juntou ao grupo e resolvemos seguir viagem àquela hora, mesmo com chuva, essa que nos seguia durante toda a viagem, nossa fiel seguidora.

00:20, mal nos deslocamos, ouvimos Goianinho avisar pelo rádio que o semieixo havia quebrado de novo.

Naquela altura do campeonato, mesmo todos querendo que ele continuasse, principalmente eu, por ser um amigo particular, a coisa mais sensata fazer era abandonar a Expedição.
Ficou uma interrogação no ar, todos, tentando entender o que havia acontecido novamente, com o mesmo semieixo.

Chamamos um guincho. Goianinho muito chateado, desanimado e nosso amigo Takai, mais uma vez deu um suporte levando Goianinho pra um hotel para que no dia seguinte ele voltasse a sua cidade de origem: Macapá.

Restaram apenas então nesse trajeto: Azulão, Ciborg (Bandeirantes), L-200, Fubica

( F-75), Busão (Bandeirantes) e Lobo Guará (Engesa).

Seguimos debaixo de muita chuva, sentido a Medicilândia, onde nesse trajeto a L-200 virou a correia do ar condicionado.

Nessa altura, brincávamos que haviam costurado a boca do sapo e enterrado na saída de Altamira, que por sinal está totalmente destruída, abandonada, com uma inflação nas alturas, extremamente abusiva, uma cidade de faroeste, sem lei.

Prosseguimos viagem até Medicilândia onde dormimos com muita chuva, pra seguir no outro dia!