DIÁRIO DE BORDO 02/05

Dia 02/05 – PARTIDA

As 09h00min, pegamos a estrada que liga Humaitá-Lábrea, e logo após  30 km rodados por asfalto (muito bom) avistamos a estrada de terra onde é o trevo que entra para BR 319 a direita e reto a BR 230. São 220 km até Lábrea que é a última cidade da Transamazônica (BR230) e sabíamos que o trajeto seria duro, ainda mais em apenas dois jipes e com as noticias que recebíamos sobre as previsões do tempo.

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Teríamos de ter muita coragem, paciência, parceria e muita vontade, vontade essa que crescia em todos os km conquistados.

Inicialmente a estrada larga, porém bem traiçoeira, cheia de abismo nas laterais, valas enormes, tanto de largura quanto de altura, fora uma camada de lama que tornava a estrada bem escorregadia. Márcia parecia uma criança com o doce na mão, sentia-se tensa e emocionada por estar ali, adrenalina a mil, e logo de cara rodou duas vezes! Muitas risadas e brincadeiras foram geradas, mas não se pode perder o foco e atenção um instante, o perigo anda lado a lado!

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 Seguimos cerca de 02h30min pra rodar 73 km mais ou menos até que veio o 1º pneu da Menina furado. Com muita animação os zequinhas (Taylor e Pan) meteram a mão na massa e trocaram o pneu! Seguimos em frente e em todos os km rodado a estrada ia se mostrando cada vez mais “lisa”, Rodrigo e Taylor apertavam o pé para aproveitar os trechos bons e algumas vezes Márcia e Pan seguiam na frente empurrados e incentivados a rodarem mais rápido.

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Após as rodadas da “Menina” natural perder um pouco da confiança, mas precisávamos evitar os atoleiros mais pesados à noite. A estrada que até então estava apenas “lisa” começou apresentar facões profundos causados por uns “doidos” caminhoneiros que se aventuravam e se especializaram em transportar mercadorias para Lábrea nos períodos de chuva.

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No primeiro grande atoleiro que nos deparamos, todos ficaram surpresos e se perguntavam como iriam transpor, ainda mais que, no meio do atoleiro estavam 04 caminhões atolados e um deles com diferencial quebrado.

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No primeiro momento nos assustamos pois, de longe víamos uns dez (10) homens se deslocando em nossa direção ao longo do atoleiro, resolvemos seguir em frente e Márcia a frente logo atolou, puxamos a Menina e paramos novamente. Rodrigo Taylor e Pan desceram e seguiram em direção aos homens que pararam cerca de 100 m de nós, fomos dar uma olhada onde seria o “melhor” caminho a seguir e percebemos que onde os homens estavam havia uma vala de uma ponta a outra da estrada e que ali seria o ponto mais difícil!! Logo abrimos dialogo com eles que nos achavam doidos!!

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Diziam apenas dois jipes? “tão” loucos!! As risadas se estenderam e nós procurando onde seria o lugar melhor de passar e seguir, Rodrigo retorna ao Azulão e junto com Taylor foram os primeiros a tentar passar Márcia e Pan olhavam atentamente e os caminhoneiros e seus ajudantes ficaram na torcida e doidos para ver o bicho pegar!! Azulão entrou a toda e logo veio o susto, a vala era muito profunda e o jipe quase tombou, o susto foi geral Márcia que filmava se assustou, mas não passou do susto! Rodrigo e Taylor saíram do jipe e junto com pessoal que ali assistiam procuram um lugar novo para que Márcia pudesse passar sem atolar e poder puxar o Azulão, as risadas e sarros foram muitos, pois a Menina passou a poucos metros do Azulão bonito sem atolar e como todos sabem a tiração de onda foi grande até o ponto dos homens fazerem piadas ao ver uma mulher junto dizendo que havíamos trazido um “lanchinho” e como podia os homens atolar e a mulher não kkkkk!!!

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Chegamos onde estavam os caminhões e paramos para perguntar se precisam de algo e conversamos um pouco e nos falaram que estavam já a quase 5 dias naquele local aguardando a chegada de um diferencial novo para montar e seguirem viagem. Como não podíamos perder tempo nos despedimos e seguimos…

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Azulão passava mais facilmente (por utilizar pneus 37’), mas mesmo assim, teve momentos que os facões eram muito profundos e ficava muito difícil transpor sem auxilio dos guinchos de ambos os jipes e proporcionavam momentos de perigo real de tombamento.  A Menina por utilizar pneus menores (7.50×16) proporcionou inúmeras atoladas. Havia momentos em que usávamos todos os nossos recursos: cintas, patescas, pá, enxada, sem falar no guincho que trabalhava o tempo inteiro. A Menina por ter um vão livre menor e Márcia sem experiência e prática offroad nesse seguimento atolavam o tempo todo, as brincadeiras e tiração de sarro era grande!!

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Taylor e Pan trabalharam bastante, esticando cinta aqui e ali, sempre com auxilio do Rodrigo fazendo de tudo pra que saíssemos dali antes da chuva chegar novamente.

Em alguns trechos todos cansados e aborrecidos por tantas atoladas pediam ao Rodrigo por ser mais experiente transpor a Menina em alguns atoleiros para conseguirmos seguir mais rapidamente.

O calor era grande chovia e não refrescava a estrada ficava cada vez mais pesada e os atoleiros cada vez mais extensos e os momentos de euforia devido ao cansaço iam diminuindo…

Ao longo do caminho, conseguimos até nos distrair dando uma refrescada em um igarapé, sem demorar muito, pois, nossa meta naquele instante era conseguir chegar até a balsa do Rio Mucuim onde armaríamos acampamento e esperaríamos o dia seguinte à balsa ir nos pegar.

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A noite chegou e Azulão atolou e foi à vez da Márcia e Pan darem uma zuada em Rodrigo e Taylor, mas não demorou muito a Menina ficou presa novamente, era o ultimo trecho até chegar ao Rio Mucuim e os facões ficavam mais profundos e a lama mais pesada.

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Os últimos 20 km até o Rio deu trabalho, mas estávamos felizes e a Lua cheia nos contemplava com sua beleza!!  A chegada à beira rio onde armamos acampamento era praticamente dentro do atoleiro!! Rodamos cerca de 140 km e já era por volta da 20h30min quando paramos a beira do rio e nossa única opção era acampar e esperar amanhecer pois balsa apenas no dia seguinte para  comunidade Vila Cristo.

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Nosso primeiro acampamento foi show: céu estrelado, churrasco, whisky, uma cerveja gelada e claro, muitas risadas das atoladas sem falar do carvão úmido!!

Ficar de pé era difícil, pois onde não afundava se escorregava, Rodrigo logo deu um jeito e pulou no rio para tomar banho e perturbava Pan e Márcia que estavam doidos para fugir do banho!! Taylor depois dos whisky’s deu PT e dormiu no saco de dormir ali mesmo no chão Pan criou coragem e entrou no rio, Márcia tentou fugir, mas não teve jeito Rodrigo começou a jogar água nela e foi obrigada a cair no rio! As risadas foram substituídas pelo som da floresta e o ronco da galera!!!

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DIÁRIO DE BORDO

A Expedição esse ano contou apenas com dois jipes: o Azulão um Willys 1974 do Rodrigo Muniz com seu zequinha Taylor de Porto Alegre e  Márcia Andrade de Belo Horizonte com a Menina, uma Defender 2000 com seu zequinha Pan de Guararapes – SP.

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A saída oficial seria dia 01/05, mas, devido alguns problemas no deslocamento acabou atrasando em 01 dia nossa partida.

Aproveitamos o restante do dia no hotel em Humaitá organizamos os carros

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e descansamos porque no dia seguinte iniciaria nosso desafio maior: pegar estrada sentindo a Lábrea.